Black Fraude: é pedir demais por um marketing ético?

Black Fraude: é pedir demais por um marketing ético?

Nessa sexta-feira, dia 27 de novembro, tivemos a Black Friday, um evento de proporções mundiais, voltado ao consumo de bens (teoricamente) em promoção. No entanto, o que vimos no Brasil foi uma série de promoções fraudulentas, típicas de um mercado que não leva a sério a ética em suas estratégias e parece não ter o mínimo de respeito pelo consumidor.

Óbvio que não vou generalizar aqui. Eu mesmo participei de promoções incríveis, investi em conhecimento em ofertas muito legais (como as dos cursos da Agência Mestre – valeu mesmo, Ricotta!). Meu ponto nesse texto é que precisamos discutir a ética no marketing e, principalmente, discutir a forma como tratamos hoje nossos consumidores.

O Marketing Antiético e o Black Fraude

A própria palavra “marketing” no Brasil ainda é muito carregada de preconceitos. Quem nunca ouviu, por exemplo, pessoas dizerem que “isso é tudo  marketing”, para se referir a algo enganoso e negativo? Eu mesmo, vindo de origem humilde, quando questionado por familiares sobre o que faço da vida, não me apresento como “marketeiro”, mas como “profissional de marketing”. Afinal, “marketeiro” sempre carrega algo de “enganador”, um sujeito que vive para criar e vender ilusões, certo?

Nada mais distante da verdade. Ou pelo menos, deveria ser distante o suficiente para distinguirmos o joio do trigo.

Ações desastradas como as que vimos na “Black Fraude” só mostram que o mercado ainda está muito longe de respeitar o seu consumidor como deveria. Estamos no ponto onde lojistas inescrupulosos chegam a aumentar, dias antes, o preço dos produtos em até 100% para depois apresentar descontos de 50%: o famoso “tudo pela metade do dobro”. A imagem abaixo ilustra bem uma situação dessas – o gráfico indica a variação no preço):

Flagra de fraude no Black Friday

Parece que falta hoje aos profissionais de marketing um maior entendimento sobre o seu consumidor e o papel que representa no ecossistema econômico. Se você é um desses profissionais de marketing, vamos revisar uma das lições que você nunca deve esquecer-se, ok?

Seu público é o maior ativo do seu negócio!

Isso mesmo. Não trate seu público como uma multidão com muito dinheiro no bolso e pouca coisa na cabeça. Para começar, entenda por “o público” como pessoas de verdade, de carne e osso, que possuem seus próprios interesses, sonhos, gostos e pensamentos variados. Não se trata de uma massa de zumbis consumistas, mas gente como a gente. Busque entendê-las, respeite suas opiniões e trate-as da melhor forma possível.

Não custa lembrar:

  • São elas que retornarão para comprar da sua marca novamente.
  • São elas que indicarão o produto ou serviço da sua empresa para seus amigos e familiares.
  • São elas que falarão sobre você nas redes sociais.
  • São elas que poderão tornar-se seus maiores defensores ou seus principais detratores (e muito disso depende da sua relação com elas!).

E por isso eu pergunto: você, profissional de marketing, está fazendo um marketing pensando nesses caras? Ou está fazendo algo de qualquer jeito para cumprir tabela? Ou pior: está usando e abusando de “gatilhos mentais”, prometendo mundos e fundos para, no fim das contas, vender ilusões? Com quem o seu marketing está comprometido: com o “faturamento a qualquer custo” ou com o crescimento sustentável e a relação de respeito com o consumidor?

Claro que uma coisa não precisa excluir a outra. Se você consegue ser ético, escalar o seu negócio sustentavelmente e, com isso, consegue crescer o seu faturamento, ótimo! Este é o jogo! O que estou questionando aqui é o crescimento desse “marketing a qualquer custo”, onde o que mais interessa são os dígitos e não as pessoas.

Devemos lembrar que marketing se trata, principalmente, de entregar valor para nossos clientes. E aí vem a cutucada: que valor você está gerando para os seus?

É pedir demais por um marketing ético?
O que você acha?

 

Texto originalmente publicado no meu Linkedin: https://www.linkedin.com/pulse/é-pedir-demais-por-um-marketing-ético-edu-costa

Edu Costa

http://educosta.com.br/

Edu Costa é profissional de Marketing e atua como consultor de Otimização de Conversão na Supersonic, primeira empresa brasileira 100% focada na área. Obcecado em multiplicar os resultados de seus clientes através do CRO, Web Analytics, Growth Hacking e Inbound Marketing, já teve a oportunidade de trabalhar com empresas tradicionais como Texaco, Icatu Seguros, Psychemedics e Grupo Ânima, mas também com grandes startups, como a Resultados Digitais, Rock Content, We Do Logos, Passei Direto e várias outras. É também professor do MBA Internacional em Marketing Digital Estratégico, na Universidade Veiga de Almeida e pesquisa academicamente Web Analytics e Otimização de Conversão.

Comments ( 3 )

  1. ReplyCardápio da dieta cetogência
    Ótima perspectiva no assunto, é sempre bom ter pessoas que jogam transparente como você. Também atuo com representação comercial no seguimento de materiais de construção, e uma certa vez um cliente apontando um produto que estava à meses sem vender, falou que iria simplesmente colocar na faixada da loja dele o seguinte: "Promoção a preços de fábrica somente R$.... Ou seja, ele falou que esse tipo de manobras faziam ele vender muito. Agora a questão é: É ético fazer isso? Vale tudo por dinheiro? Para mim, gosto de fazer tudo com muita ética, prefiro "deixar dinheiro na mesa", do que agir enganando meus clientes. Abraço.
  2. ReplyLarissa
    O velho "jeitinho brasileiro" do qual muitos se orgulham. Que vergonha meu Deus, isso sim!
  3. Replyluiz
    Um jeito simples de descobrir é monitorar um preços alguns meses antes